Sextortion: a chantagem sexual que cresceu 1.000% em 18 meses — e 70% das vítimas são adolescentes
Sextortion é uma forma de chantagem em que a vítima é ameaçada com a divulgação de imagens íntimas — reais ou fabricadas — em troca de dinheiro, mais imagens ou favores sexuais. O que muitos pais não sabem: 70% das vítimas são adolescentes. E os perpetradores, em muitos casos, também são.
O crescimento documentado
O Network Contagion Research Institute registrou um crescimento de +1.000% nos casos de sextortion em apenas 18 meses. É o crime cibernético que mais cresce na América do Norte e na Austrália. A ONU estimou em 2024 que 300 milhões de crianças foram afetadas por alguma forma de exploração ou abuso sexual online nos últimos 12 meses — número que inclui sextortion.
No Brasil, a SaferNet recebeu 49.336 denúncias de abuso e exploração sexual infantil apenas nos primeiros 7 meses de 2025 — representando 64% de todas as denúncias de crimes cibernéticos.
Sextortion entre pares: não é só coisa de adulto
Uma parcela significativa dos casos de sextortion entre adolescentes é cometida por outros adolescentes. O padrão: um(a) colega obtém imagem íntima (enviada voluntariamente em contexto de namoro ou "ficada") e, após o término, ameaça divulgar. O caso típico documentado: "Manda mais fotos ou eu mostro as antigas para toda a escola."
O componente de deepfake amplifica o problema: agora, o chantagista não precisa de uma foto real. Basta uma foto de perfil pública para gerar nudez falsa via IA — e a vítima não tem como provar que a imagem é fabricada.
Como a sextortion afeta adolescentes
O impacto psicológico é devastador e documentado: depressão, ansiedade, isolamento social, queda de desempenho escolar, dificuldade em manter amizades. Adolescentes que sofrem sextortion raramente contam aos pais — por vergonha, medo de punição e, em muitos casos, por medo de perder o celular (a punição que muitos pais adotam como primeira resposta). O resultado: a vítima enfrenta a chantagem sozinha.
O que os pais podem fazer
Primeiro: crie um ambiente onde o filho saiba que pode contar o que aconteceu sem ser punido. Se a primeira reação do pai ao saber de sextortion for tirar o celular, o filho aprende que contar = perder. E para de contar. Segundo: explique que imagens íntimas, uma vez enviadas, nunca são seguras — nenhum app garante que elas não serão salvas. Terceiro: denuncie. A SaferNet (denuncie.org.br) e a Polícia Federal recebem denúncias de sextortion. Quarto: use ferramentas técnicas para reduzir a exposição — contas privadas, bloqueio de apps de chat anônimo, limitação de redes sociais. O Salvor bloqueia plataformas de chat anônimo e redes sociais no dispositivo do filho — reduzindo as oportunidades de contato com desconhecidos que são o ponto de partida da maioria dos casos de sextortion.
Fontes: Network Contagion Research Institute — dados sextortion (2023); ONU — 300 milhões de crianças exploradas online (outubro de 2024, news.un.org); SaferNet Brasil — relatório 2025 (safernet.org.br); FBI — IC3 PSA sobre sextortion com deepfakes (junho de 2023); Internet Matters — pesquisa sobre sextortion entre pares.