WhatsApp libera conta para menores de 13 anos: o que muda e o que ainda preocupa
Em 11 de março de 2026, o WhatsApp anunciou que passaria a permitir contas para menores de 13 anos — desde que vinculadas a um responsável legal. A decisão veio uma semana antes da entrada em vigor da Lei Felca (17 de março de 2026), que exige verificação de idade real e controle parental em plataformas digitais. A pergunta que os pais precisam fazer: essa mudança resolve o problema ou apenas o formaliza?
O que são as contas supervisionadas
O novo sistema permite que pais gerenciem a conta do filho menor de 13 anos com os seguintes controles:
- Definir quais contatos podem enviar mensagens à criança.
- Controlar em quais grupos a criança pode participar.
- Analisar pedidos de contato de números desconhecidos (em pasta separada com PIN).
- Gerenciar configurações de privacidade.
- Imagem de perfil desfocada para números desconhecidos.
- Meta AI desativada por padrão para menores.
- Acesso a Canais e Status bloqueado.
O problema que já existia: 74,3% dos casos de grooming via WhatsApp
Segundo pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Projeto Proteca, 74,3% dos casos de grooming na América Latina utilizam o WhatsApp como plataforma principal. Dados complementares: 80% das vítimas são meninas, 86,7% dos casos envolvem pornografia infantil. O padrão: o agressor finge ter idade similar, usa linguagem adolescente, cria perfis falsos e faz o primeiro contato em jogos ou redes sociais — depois migra a conversa para o WhatsApp.
A Polícia Federal executou 1.074 operações contra abuso sexual de crianças e adolescentes em 2023 — o dobro das 502 operações de 2022, aumento de 114%. A SaferNet registrou 71.867 novas denúncias de imagens de abuso infantil online no mesmo ano — recorde em 18 anos.
O que a Lei Felca exige
A Lei 15.211/2025 determina que menores de 16 anos só podem ter perfis em plataformas digitais se vinculados a um responsável legal. Plataformas devem usar métodos confiáveis de verificação de idade — autodeclaração simples é proibida. As contas supervisionadas do WhatsApp são uma resposta direta a essa exigência.
O que ainda preocupa
A mudança resolve o problema formal (crianças não precisam mais mentir a idade para usar o WhatsApp), mas cria perguntas práticas: como o WhatsApp vai garantir que a conta supervisionada não será criada pelo próprio menor usando dados de um adulto? A verificação depende de quem? Se o filho já tem conta no WhatsApp com idade falsa, o que acontece? E grupos de escola — onde conteúdo inapropriado circula entre adolescentes — continuam fora do controle parental.
O que os pais podem fazer agora
Se o filho tem menos de 13 anos e já usa WhatsApp: converta a conta para o modo supervisionado assim que disponível. Revise os grupos de que ele participa. Configure a privacidade para que apenas contatos aprovados possam enviar mensagens. E lembre-se: o WhatsApp é criptografado de ponta a ponta — você não verá o conteúdo das mensagens, mas pode controlar com quem o filho conversa. O Salvor complementa o controle nativo do WhatsApp bloqueando as plataformas onde o primeiro contato do grooming geralmente acontece — jogos, redes sociais e fóruns anônimos — antes que a conversa migre para o WhatsApp.
Fontes: Agência Brasil — "WhatsApp anuncia controle parental para contas de menores de 13 anos" (março de 2026); UFPR — Projeto Proteca (proteca.ufpr.br); SaferNet Brasil — relatório 2023 (safernet.org.br); Polícia Federal — dados 2023; Lei 15.211/2025 — Agência Brasil (março de 2026).